03/02/2010
Redução da jornada aumenta produtividade, diz Dieese
Sindicalistas começaram ontem o trabalho de corpo a corpo com parlamentares para a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais e aumenta dos atuais 50% para 75% a remuneração da hora-extra, no aeroporto de Brasília. A mobilização continuou na tarde no Salão Verde da Câmara dos Deputados.
Segundo o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves Juruna, a intenção é fazer uma vigília, e até dormir no Congresso se preciso, para conseguir que a PEC entre na agenda de votação neste semestre. A proposta foi aprovada em comissão especial da Câmara em junho do ano passado.
De acordo com Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), reduções de jornada vêm acompanhadas de aumento de produtividade. Além disso, a redução de 4 horas da jornada semanal pode gerar dois milhões de empregos, estima o diretor.
Carlos Alberto Santos, diretor de Administração e Finanças do Serviço Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) reconhece que se houver aumento de produtividade o aumento de gastos com horas extras ou com o número de empregados será compensado.
Ele pondera, no entanto, que essa linha de argumentação só é verdadeira para a produção física e tangível. Para o comércio e serviços fica muito complicado. "Nesses setores a presença do empregado é um dado muito importante. Com a redução, as lojas vão fechar mais cedo ou vão pagar hora extra?" O diretor do Sebrae acha difícil que o consumidor aceite o repasse do aumento de custos ou mude seus horários de compra.
O diretor-tesoureiro da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Laércio Oliveira, é mais crítico. "Isso é uma proposta política e eleitoreira, e vai de encontro ao crescimento no país. Vai aumentar o desemprego e a informalidade", disse Oliveira que considera a proposta um retrocesso e o momento de discussão impróprio.
Para Ganz Lúcio, o atual cenário de crescimento econômico como ideal para que a proposta seja absorvida economicamente. (DCI)
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